19.2.08

"Cartola tem que ficar pianinho"

Passada a tempestade, o Clube dos Cafajestes começa a se preparar para mais uma temporada. Depois de um começo promissor, com um terceiro lugar na estréia seguido de um vice-campeonato, o time ficou na quarta posição duas vezes, longe do título. Promovido a treinador, Alberto Ferrari terá agora o desafio de recuperar o elenco, devolver a auto-estima aos jogadores, retomar a confiança dos torcedores e reencontrar o caminho das vitórias. Aos 41 anos, o argentino é o mais jovem técnico da equipe. Ex-jogador do time, Ferrari já exibia uma pança saliente enquanto resfolegava em campo com seu estilo botinudo anotando um gol aqui e outro ali. Agora, a missão dele é fazer com que o Fusca volte a ter desempenho de uma Ferrari.

O senhor assumiu o time durante uma crise sem precedentes. Está arrependido de ter virado técnico?
Em absoluto! Estou animadíssimo porque tenho a grande chance de montar o time à minha cara.

Mas o senhor não é tão bonito assim...
Esse é o ponto! Tinha gente querendo jogar bonito quando devia chutar de bico ou mandar a bola para o mato. Nossa qualidade técnica caiu com a saída do Leroi. Aliás, esse é outro ponto termina aqui. Não podemos mais usar isso como desculpa. O cara foi embora e ponto final. Vamos usar o que temos. E temos um grande elenco aqui. Falta motivar a rapaziada.

E como fará isso?
Com surubas, claro! Alugamos uma mansão numa ilhota vizinha à Ilha de Paquetá com figurantes de Malhação, massagistas suecas, dançarinas francesas e atrizes-modelos-rainhas-de-bateria.

O senhor está mesmo empenhado. Até aprendeu a falar português...
É verdade. Joguei um bom tempo aqui. O problema é que comando uma torre de babel. Tem alemão, espanhol, francês, finlandês. Trouxeram até um israelense para cá! Mas todos falam o idioma da bola e isso facilita tudo.

E o esquema tático?
Só posso te dizer que vamos manter o nosso estilo ofensivo. A torcida não admitiria nada diferente disso nem perdoará novos vexames em casa. Bastam as duas goleadas que sofremos. Neste campeonato, não vencemos uma partida contra os adversários mais fortes. Mas isso vai mudar e voltaremos a fazer prevalecer o nosso estilo de jogo.

Na última temporada, foi prometido o título com uma campanha impecável...
Esse foi um erro. Deixem que os fanfarrões sejam os jogadores e eu. Cartola tem que ficar pianinho no ar-condicionado. Depois, quando a coisa estiver bem encaminhada, podem falar também. Não vou prometer nada, exceto um time de machos que honre as orgias da Termas Paradiso e as tradições do nosso uniforme.

Como avaliou a temporada passada?
Fue una mierda! Deu tudo errado e vimos times como o Real Mattrick e o Clube Atlético Venlafaxina evoluindo. Temos que recuperar o tempo perdido e voltarmos à ponta urgentemente.

E a Copa do Brasil?
Esse é um grande problema a ser resolvido e a tendência é que o façamos com a prata da casa. Quando chegarmos aos jogos mais importantes, escalaremos os titulares.

E a Copa do Copo?
Vamos disputá-la sim. Não sei com que time, mas estaremos lá. A diretoria e a torcida exigem isso, os jogadores gostam de jogá-la e de comer as francesinhas do Dogfather. E é um torneio que me agrada muito.

E quando a torcida verá a nova postura do time?
Amanhã, no amistoso de entrega de faixas ao Senninha SC, na Gávea. Será uma partida interessante, contra um time em evolução, que acaba de chegar à quinta divisão e conta com um bom planejamento. Será um teste valioso para a gente e para reconquistar a confiança do torcedor.

11.2.08

Final com derrota melancólica

Terminou o martírio da torcida do Clube dos Cafajestes. Na pior temporada de sua história, incluindo as da sexta divisão, o time do Aterro conquistou 25 pontos - apenas 59,5% do total. Ontem, o time foi goleado em casa pelo Real Mattrick, por 5 a 1, e viu o rival conquistar um título inesperado. Irritado com os resultados e com a derrota humilhante em seus domínios, o CEO Roberto Justus determinou uma faxina geral no departamento de futebol. O vice-presidente Alberto Du Álibi foi demitido, assim como toda a assessoria de imprensa do clube, que deixou vazar detalhes das surubas dos jogadores mesmo após as derrotas. A versão oficial para a dispensa dos assessores foi corte de custos durante o recesso de temporada.

O Clube dos Cafajestes terminou em quarto lugar de novo, atrás do Clube Atlético Venlafaxina, que perdeu um campeonato que parecia certo com dois empates nas duas últimas rodadas. Um deles para os cafajestes. O vice-campeonato ficou com o Besaid Oraka. Quanto ao elenco, o escrete titular continuará o mesmo. Até porque falta dinheiro em caixa para contratação de reforços. Comenta-se que a equipe, pela primeira vez, poderá priorizar a Copa do Brasil para angarirar recursos. A idéia, polêmica, dividiu a diretoria do clube.

- Arriscado demais é, mas mulambento assim ficar não podemos. Interessante caça-níqueis Copa do Brasil ser. Por outro lado, como na liga jovens cafajestes ficarão? - questionou o presidente do conselho cafajeste, Mestre Yoda.

- Precisamos urgentemente promover um upgrade em nosso skill. Para isso, vislumbro que o budget deve ser incrementado e somente um evento diferenciado poderia nos possibilitar isso. Antes, porém, tive que ser enérgico e disse para o Du Álibi e para aqueles assessores todos que estavam demitidos - detalhou Roberto Justus.

A preferência pela Copa do Brasil permitiria também uma nova ampliação no Aterro do Flamengo. Os cartolas acreditam que é possível ir além dos mais de 67 mil lugares atuais.

- O problema é grana. Só isso. A solução será garimpar alguém para ser vendido nas divisões de base ou abrirmos mão de um dos nossos atacantes. Sei que, até lá, não vou dar para mais ninguém. Nem as meninas da Termas Paradiso - afirmou a diretora de relações sexuais, Regininha Poltergeist.

- Bueno, no podemos llorar por todo. Hay que reconocer que tenemos delanteros y cancheros poderosos, los mejores de la liga. Sólo nos falta un detalle, que no voy decirles aquí. Sin embargo, creo que podremos solucionar eso luego - disse o treinador Alberto Ferrari, um dos poucos que se salvaram da derrocada cafajeste.

- The book is on the fucking table! - encerrou o diretor esportivo Rod Stewart.

7.2.08

Empate sepulta sonho

O sonho acabou. O empate em 2 a 2 com o Clube Atlético Venlafaxina enterrou a escalada rumo ao inédito título da Série V.123. E o pesadelo pode começar. A tragédia financeira no início da temporada sepultou a pretensão dos cartolas, certos do triunfo pelo poderio do escrete cafajeste. Na avaliação do vice-presidente de futebol do Clube dos Cafajestes, Alberto Duálibi, a falência iminente levou à venda do ala Jean-Christophe Leroi, pilar fundamental no esquema tático da equipe.

Cambeta, o time foi obrigado a atuar no 3-4-3, arriscando-se a perder o dominío do meio-campo apesar do trio mítico Nils, Jorgão e Paul. Para piorar, o ala noruguês Seu Jorge só recuperou a forma no fim do campeonato. Resultado: os cafajestes perderam até para o Pernas de Pau, pernúltimo colocado, e amargarão um quarto lugar.

A meta imediata da diretoria é conseguir recursos suficientes para conseguir um substituto à altura de Leroi. O perfil procurado é por um veterano, com baixo salário e grande experiência para jogar na ala e fechando pelo meio. Por outro lado, os cartolas precisam ter dinheiro em caixa para pagar os altos salários dos Trio de Ouro e para concluir a ampliação do Aterro do Flamengo para aumentar suas fontes de renda. Hoje, a folha salarial da equipe chega a quase R$ 700 mil.

- O nosso gasto é absurdo, mas não nos arrependemos. Contratamos o Trio de Ouro quando o mercado ainda estava em baixa. Um mês depois, houve uma explosão no valor dos passes e um cara como o Jorjão Mineiro, que custou quase R$ 2 milhões, sai hoje por quase o dobro - explica Alberto Duálibi. - Conseguimos nos reforçar a tempo, mas a um custo elevado. Mas se não fizéssemos isso, não teríamos condições de fazê-lo nunca mais. Precisamos agora de um estádio maior, arranjar um jogador como o Leroi e ainda guardar uns trocados para pagar o salário da turma.

Para o técnico Alberto Ferrari, a solução para o drama financeiro está nas divisões de base.

- He visto unos chicos en el Defloradores de Princesas que podrían ser vendidos después. Creo que estarán listos en un o dos meses - avaliou o treinador, que já começa a pensar no time que levará a campo para a Copa do Brasil:

- Estás de broma conmigo? Ni siquiera tengo plantel para los amistosos, cómo puedo pensar en tener dos equipos para esas copas?

- The book is on the table again, my friends - comentou laconicamente o diretor esportivo Rod Stewart.