"Cartola tem que ficar pianinho"
Passada a tempestade, o Clube dos Cafajestes começa a se preparar para mais uma temporada. Depois de um começo promissor, com um terceiro lugar na estréia seguido de um vice-campeonato, o time ficou na quarta posição duas vezes, longe do título. Promovido a treinador, Alberto Ferrari terá agora o desafio de recuperar o elenco, devolver a auto-estima aos jogadores, retomar a confiança dos torcedores e reencontrar o caminho das vitórias. Aos 41 anos, o argentino é o mais jovem técnico da equipe. Ex-jogador do time, Ferrari já exibia uma pança saliente enquanto resfolegava em campo com seu estilo botinudo anotando um gol aqui e outro ali. Agora, a missão dele é fazer com que o Fusca volte a ter desempenho de uma Ferrari.
O senhor assumiu o time durante uma crise sem precedentes. Está arrependido de ter virado técnico?
Em absoluto! Estou animadíssimo porque tenho a grande chance de montar o time à minha cara.
Mas o senhor não é tão bonito assim...
Esse é o ponto! Tinha gente querendo jogar bonito quando devia chutar de bico ou mandar a bola para o mato. Nossa qualidade técnica caiu com a saída do Leroi. Aliás, esse é outro ponto termina aqui. Não podemos mais usar isso como desculpa. O cara foi embora e ponto final. Vamos usar o que temos. E temos um grande elenco aqui. Falta motivar a rapaziada.
E como fará isso?
Com surubas, claro! Alugamos uma mansão numa ilhota vizinha à Ilha de Paquetá com figurantes de Malhação, massagistas suecas, dançarinas francesas e atrizes-modelos-rainhas-de-bateria.
O senhor está mesmo empenhado. Até aprendeu a falar português...
É verdade. Joguei um bom tempo aqui. O problema é que comando uma torre de babel. Tem alemão, espanhol, francês, finlandês. Trouxeram até um israelense para cá! Mas todos falam o idioma da bola e isso facilita tudo.
E o esquema tático?
Só posso te dizer que vamos manter o nosso estilo ofensivo. A torcida não admitiria nada diferente disso nem perdoará novos vexames em casa. Bastam as duas goleadas que sofremos. Neste campeonato, não vencemos uma partida contra os adversários mais fortes. Mas isso vai mudar e voltaremos a fazer prevalecer o nosso estilo de jogo.
Na última temporada, foi prometido o título com uma campanha impecável...
Esse foi um erro. Deixem que os fanfarrões sejam os jogadores e eu. Cartola tem que ficar pianinho no ar-condicionado. Depois, quando a coisa estiver bem encaminhada, podem falar também. Não vou prometer nada, exceto um time de machos que honre as orgias da Termas Paradiso e as tradições do nosso uniforme.
Como avaliou a temporada passada?
Fue una mierda! Deu tudo errado e vimos times como o Real Mattrick e o Clube Atlético Venlafaxina evoluindo. Temos que recuperar o tempo perdido e voltarmos à ponta urgentemente.
E a Copa do Brasil?
Esse é um grande problema a ser resolvido e a tendência é que o façamos com a prata da casa. Quando chegarmos aos jogos mais importantes, escalaremos os titulares.
E a Copa do Copo?
Vamos disputá-la sim. Não sei com que time, mas estaremos lá. A diretoria e a torcida exigem isso, os jogadores gostam de jogá-la e de comer as francesinhas do Dogfather. E é um torneio que me agrada muito.
E quando a torcida verá a nova postura do time?
Amanhã, no amistoso de entrega de faixas ao Senninha SC, na Gávea. Será uma partida interessante, contra um time em evolução, que acaba de chegar à quinta divisão e conta com um bom planejamento. Será um teste valioso para a gente e para reconquistar a confiança do torcedor.
