9.5.05

"Quero levantar o troféu e comer muitas adversárias"

O lugar lembra a entrada de uma oficina, com posteres de mulheres peladas em todos os cantos. No quarto contíguo, uma cama redonda, pista de dança, banheira de hidromassagem e algumas calcinhas no chão mostram que a comemoração foi boa, como se Calígula tivesse passado por ali. Pois esse é o escritório do presidente do Clube dos Cafajestes, Marcelo Dias, que já planeja a festa que dará pelo título da Série VI.845, em agosto:

- Será a maior orgia da cidade! Vamos botar pra foder!

Tanta certeza vem do trabalho realizado pelo técnico venezuelano Alberto Gómez. Desprezado em seu país, Gómez jamais ganhou uma partida em sua vida, mas, depois de recomendar duas de suas primas ao presidente cafajeste, abriu as portas para o sucesso no Rio de Janeiro.

- Tinha um tal de Ruizinho Girafa aqui, que mandei logo pro zoológico. Fala sério! E como o Gómez me mandou aquelas duas morenaças deliciosas, pensei: "Ele pode até não manjar nada dessa porra, mas que vai elevar o moral do time com essas piranhas, ah!, isso vai!". E não deu outra. Ou, melhor. Elas que deram à beça e a rapaziada entrou com tudo em campo - diverte-se o dirigente.

Gómez veio a preço de ouro, o que levantou suspeitas na oposição no clube. Há quem alegue que tenha desvio de dinheiro, mas sem provas. O fato é que o venezuelano arrancou com o time da sexta posição faltando cinco rodadas e quase abocanha o terceiro lugar. Mesmo com pouco dinheiro, o Clube dos Cafajestes conseguiu se reforçar com jogadores de qualidade duvidosa.

- São todos BBB: bons, bonitos e baratos. Não... Risca esse bonitos. Vão achar que sou viado. O melhor deles, o Klaus Hoffman, um dinamarquês de 31 anos, é o comandante do meio-campo. Mesmo veterano, o cara joga o fino e toda hora bota o Carlinhos e o Afrodízio na cara do gol. O Miguelito é outro destaque. Não tínhamos goleiros. Se havia, era tão ruim que foi pra rua. E fomos caminhando - explica o presidente, que pretende ampliar o estádio e o centro de treinamento, no Aterro do Flamengo.

E nessa caminhada, os adversários perceberam que o novo time era a nova potência do grupo, como se viu nas vitórias sobre o Grajáu (5 a 3) e Atlético Sorocaba (7 a 2, fora de casa), respectivamente campeão e vice:

- Foram duas rodada excitantes! As duas últimas, com exibições de gala. A comemoração foi em alto nível. Chamei umas vadias da Globo e fizemos um surubão na Termas Paradiso, a nossa sede social.

Na avaliação do dirigente cafajeste, o time está preparado para ser campeão, apesar de ter uma zaga fraca. Mas nada que diminua o ânimo no clube.

- É verdade, mas o Heilmar recuperou a forma. De qualquer maneira, vamos tentar dois nomes pra campanha na Copa do Brasil porque não temos reservas para o setor. Mas não é nada que me preocupe já que o título é impossível. Quero é encher o estádio, faturar uma grana na copa, levantar o troféu na série e comer muitas torcedoras adversárias!